Paulo Duarte, membro colaborador do CICP, é autor do livro “Soft power made in Asia: South Korea, Turkey and China’s attempts to win hearts and minds” publicado pela editora 5 Livros .
Este livro tem como objetivo aprofundar o debate sobre o soft power, um elemento fundamental, tal como o hard power, para ajudar os Estados a aumentar a sua influência no tabuleiro de xadrez internacional.
Embora a génese do soft power deva muito a Joseph Nye, a Hollywood e à liberdade e democracia ocidentais, a verdade é que serviu de inspiração a outras potências não ocidentais para desenvolverem a sua própria capacidade de influenciar.
Este facto, por sua vez, teve um impacto extraordinário na globalização do soft power: a partir desse momento, o soft power tornar-se-ia um processo duplo em que o Oriente já não é apenas um recetor de estilos e modos de vida ocidentais, mas cada vez mais uma referência de soft power que os países ocidentais desejam seguir. Apesar de as patentes japonesas terem já desempenhado um papel importante nos domínios económicos da inovação no Leste, o soft power sul-coreano viria a marcar uma nova tendência no reforço da capacidade de influência da Ásia Oriental, acrescentando outras componentes à equação. É o caso, nomeadamente, da cultura sul-coreana do Kpop e dos Ídolos, dos Kdramas, do cinema, dos webtoons e dos eSports. Sem as políticas e os investimentos do Governo no domínio cultural, a Hallyu não teria tido o mesmo impacto a nível mundial.
No entanto, dada a vastidão da Ásia, é compreensível que o poder suave da Coreia do Sul possa não refletir com exatidão as estratégias de construção de influência de outros Estados asiáticos.
A este respeito, pensei que seria interessante apresentar aos leitores os casos turco e chinês, tendo em conta os seus esforços notáveis para construir uma imagem em que o culto do líder é muitas vezes inevitável, enquanto a diplomacia económica, bem como a procura de um papel crescente na governação global, são da maior importância.



